Galeria Municipal Jovem 2025
Na Fragilidade do que Persiste
ARTISTAS Eduardo Freitas, Jéssica Burrinha e Mariana Maia Rocha
18 de janeiro a 15 de março de 2025
A exposição coletiva Na Fragilidade do que Persiste surgiu de um encontro entre três jovens artistas, convidados a explorar as possibilidades de instalação das suas obras, desafiando a perceção do espectador através de novas possibilidades expositivas. Teve como ponto de partida a dualidade entre o tempo e a memória, na qual a matéria se apresentou como prova documental, bem como a relação entre a escultura e o espaço, fosse este performativo, material ou pertencente ao imaginário da memória.
Neste contexto, a repetição formal surgiu como um padrão estruturante das obras, mas também como um veículo conceptual para a compreensão do presente enquanto realidade fugaz e em constante transformação. O gesto refletiu-se na manipulação do látex, da terra, da cerâmica e da pedra, articulando uma relação dialética com o espaço, que se constituiu não apenas como o seu recetáculo, mas também como um agente ativo na configuração das obras.
A exposição constituiu, assim, um convite à reflexão sobre a escultura enquanto linguagem viva, desdobrando-se a partir da imersão no espaço. A repetição reinventou-se e tornou-se a chave para compreender a complexidade do presente, simultaneamente fugaz e persistente, frágil e efémero.
TOCA E FOGE
ARTISTAS Carolina Batalha, Liliana Ferreira e Luísa Ramires
29 de março a 24 de maio de 2025
Toca e Foge foi uma exposição que convidou o público a caminhar por entre as cores e as texturas visuais que vibraram nas obras de Carolina Batalha, Liliana Ferreira e Luísa Ramires. Três artistas que se encontraram num breve diálogo estabelecido pelas paredes da Galeria Municipal Jovem.
"O espaço entre a teia e a trama" constituiu o desafio inicial que permitiu explorar as diversas formas de expressão que este conceito poderia conter. Esse espaço viveu da abstração das possibilidades conceptuais e formais que teceram o fio condutor da exposição, tocando e revisitando a memória e a intimidade. A exposição apresentou-se como uma alegoria ao ato de brincar e como uma exploração de novos e antigos modos de ver e reinventar a arte.
O QUE VÊS NAQUELA NUVEM?
ARTISTAS Coletivo Vês.Três
7 de junho a 2 de agosto de 2025
O que vês naquela nuvem? foi um convite e um espaço de jogo. Nesta exposição, o trio por detrás do coletivo artístico Vês.Três explorou o território escorregadio entre a perceção e a imaginação. Distribuída por duas salas que variaram em tom e textura, a exposição partiu de uma pergunta simples: o que projetamos quando tentamos dar sentido ao visível?
Na primeira sala, os visitantes foram convidados a procurar um ponto de encontro na imensidão do ruído — visual e sonoro — dos nossos dias. O barulho exterior das cidades, das ruas e dos cartazes sobrepostos em sucessivas camadas refletiu-se também no ruído interior, por vezes ainda mais silenciador. O "papel de parede" envolveu todo o espaço como uma colagem urbana saturada de fragmentos em disputa, enquanto a peça sonora amplificou essa tensão. O espaço afirmou-se, assim, como simultaneamente mental e urbano: um estado de sobrecarga onde tudo competiu por um instante da atenção do público.
Na sala seguinte, a atmosfera desacelerou e assumiu um carácter de suspensão. As pequenas esculturas, em massa de modelar e madeira, surgiram como nuvens materializadas, leves na aparência, mas carregadas de significado. Nelas projetaram-se desejos, medos profundos e ansiedades lançadas sobre o céu.
Ao longo de toda a exposição, afirmou-se uma rendição ao fenómeno da pareidolia — a tendência humana para reconhecer formas e padrões familiares em estímulos aleatórios. Em vez de procurar respostas ou clareza, O que vês naquela nuvem? celebrou a ambiguidade.
Entre o ruído e o silêncio, permaneceu a pergunta: o que vês naquela nuvem?
DESPENSA
ARTISTAS MAGO studio, Bina Tangerina e Marcos Martos
30 de agosto a 25 de outubro de 2025
Quais são os ingredientes que precisamos para confecionar as nossas receitas favoritas? Fomos à nossa despensa, pegámos nos ingredientes que tínhamos e cozinhámos esta exposição. Que memórias, sabores e histórias despertam estes ingredientes?
A Despensa foi uma exposição de ilustração que celebrou os objetos e ingredientes do nosso quotidiano. Deixamos o convite para que se sentem à mesa connosco: há sempre espaço para redescobrir o que temos à nossa volta.
RESGATE CONTÍNUO
ARTISTAS Bruno José Silva, Mário Espada e Vicente Del Pedregal
8 de novembro a 3 de janeiro de 2026
Para concluir a programação de 2025 da Galeria Municipal Jovem, foram convidados três artistas que exploram a imagens em movimento nas suas expansões: cinema, instalação e pintura. Resgate Contínuo é uma exposição que reúne obras que trabalham a forma como as imagens influenciam a perceção de experiências pessoais e dos desdobramentos que uma história pode conter. Apelando à memória individual e coletiva, são pensados três momentos expositivos que constroem, através dos seus fragmentos, uma renovação de significação.